Os conflitos geracionais sempre foram uma questão que precisa ser gerenciada com atenção no ambiente de trabalho (e fora dele também, é claro). Comportamentos e pensamentos diferentes, de uma maneira geral, são muito positivos, pois estimulam o debate e a geração de variadas ideias e soluções. No entanto, também podem levar a incompreensão e problemas de relacionamento.
De acordo com dados apresentados pelo Relatório de Tendências de Gestão de Pessoas 2024, desenvolvido pelo Ecossistema GPTW e Great People, 51,6% do mercado de trabalho diz ter dificuldade em administrar as diferentes gerações e suas ambições.
Nesse contexto, o estudo revela ainda que a Geração Z foi apontada por 68% dos entrevistados como a mais desafiadora para a gestão de pessoas. Quando comparada com a segunda colocada, a Geração Baby Boomer (dos nascidos entre 1945 e 1964), indicada por 11,4% dos respondentes, percebe-se o quanto a GenZ difere das gerações anteriores e como ainda precisa ser entendida pelos recrutadores e pelo mundo corporativo.
Quem é a Geração Z?
A Geração Z é formada pelas pessoas nascidas entre meados da década de 1990 e início dos anos 2010. Também conhecida como Gen Z, é a primeira geração a crescer completamente imersa em tecnologia digital, o que os torna nativos digitais por excelência. Essa conexão com a tecnologia, desde cedo, moldou muitos de seus hábitos, comportamentos e expectativas.
Altamente conectados, esses indivíduos têm facilidade para navegar em diversas plataformas digitais e usar novas tecnologias de forma intuitiva, tornando-os também capazes de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo. Enquanto as gerações anteriores preferiam interações presenciais, essa geração está mais acostumada a socializar online, tendendo a ser muito ativa na criação e compartilhamento de conteúdo digital.
Conscientes sobre questões ambientais, diversidade e inclusão, buscam propósito em tudo que fazem e nas relações que estabelecem, seja com outras pessoas ou com organizações. São curiosos, autodidatas, preferem aprender de maneira prática e valorizam as experiências personalizadas.
Representando cerca de 30% da população mundial e com um forte desejo de transformar o mundo, a Geração Z tem grande potencial de impactar mercados, empresas e sociedades de maneiras inovadoras.
Como a geração Z age e o que espera do mercado de trabalho?
Por serem nativos digitais, os indivíduos da Geração Z estão profundamente conectados à tecnologia e têm uma visão mais pragmática da vida e da carreira, especialmente quando comparada com gerações anteriores. Valorizam a autonomia e flexibilidade no trabalho e preferem poder gerenciar suas próprias agendas e responsabilidades. Esperam ter liberdade para inovar e tomar decisões dentro de suas funções, sem uma supervisão excessiva.
Não buscam apenas um emprego que pague bem, mas que também tenha um impacto positivo na sociedade. Esperam um ambiente de trabalho colaborativo, onde a comunicação seja aberta e a hierarquia seja menos rígida. A transparência em relação às decisões da empresa, objetivos e valores é fundamental para gerar confiança e engajamento.
A flexibilidade é um ponto importante para a Geração Z. Eles esperam poder trabalhar de maneira híbrida (remoto ou presencial) e organizar seu horário de trabalho da forma mais flexível. Além disso, buscam organizações que promovam um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional, respeitando sua autonomia e liberdade.
Como atrair e reter os talentos da Geração Z?
Atrair e reter talentos da Geração Z pode ser desafiador para as organizações, especialmente porque suas prioridades e expectativas são muito diferentes das ambições e necessidades das gerações anteriores.
Essa geração busca significado no trabalho, oportunidades de crescimento e um ambiente que respeite suas necessidades de saúde mental e equilíbrio. Portanto, as organizações precisam criar ambientes que atendam às suas demandas por flexibilidade, propósito e desenvolvimento contínuo.
Aqui estão algumas ações que podem ser adotadas pelas empresas para atrair e manter os talentos da Geração Z:
1. Oferecer flexibilidade no trabalho
O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é algo altamente valorizado por essa geração. Por isso, oferecer horários flexíveis, trabalho remoto ou a possibilidade de home office são diferenciais que atraem e agradam esses indivíduos.
2. Investir no propósito e na responsabilidade social
Buscam atuar em empresas que tenham um propósito claro e que contribuam para a sociedade. Organizações que se engajam em iniciativas de responsabilidade social e apoiam causas que impactam positivamente na comunidade tendem a atrair os talentos dessa geração.
3. Adotar tecnologia e inovação
A Geração Z cresceu com tecnologia e espera que o ambiente de trabalho seja avançado tecnologicamente. Por isso, as empresas precisam usar ferramentas digitais modernas para facilitar a comunicação, o gerenciamento de projetos e o trabalho em equipe, tornando o ambiente de trabalho mais atrativo para esses jovens profissionais.
4. Feedback contínuo e reconhecimento
Os jovens dessa geração não querem esperar meses para saber como estão se saindo no trabalho. Para manter esses profissionais motivados, as empresas devem implementar uma cultura de feedback constante, tanto de maneira formal quanto informal, e uma comunicação aberta sobre expectativas e performance.
5. Criar um ambiente de trabalho colaborativo e não hierárquico
A Geração Z tende a preferir ambientes de trabalho colaborativos, com menos hierarquia rígida e mais comunicação entre os membros da equipe. Eles valorizam empresas que promovem uma cultura de abertura e transparência, onde todos têm voz e podem compartilhar suas ideias e sugestões. Promover equipes ágeis, integrar diferentes áreas da empresa e apoiar a colaboração é essencial para atrair e reter esses talentos.
Repensar as estratégias tradicionais e adotar práticas mais flexíveis, inclusivas e centradas no bem-estar e aprendizado contínuo é um movimento fundamental que as empresas precisam fazer para se tornarem mais atrativas para a Geração Z. Ao investir nesses jovens talentos, as organizações investem também em seu próprio desenvolvimento e ainda garantem um futuro mais promissor e inovador.